BIBLIOTECA

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Blogue da BE/CRE da Escola Secundária/3 Dr. Flávio F. Pinto Resende

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

SUGESTÕES DE LEITURA:
História do Rei Transparente
Montero, Rosa


Num tumultuoso século XII, Leola, uma camponesa adolescente, despe um guerreiro morto num campo de batalha e veste as suas roupas para se proteger sob um disfarce viril.
Assim começa o vertiginoso e emocionante relato da sua vida, uma peripécia existencial que não é apenas de Leola, mas também nossa, porque este romance de aventuras com ingredientes de fantástico fala-nos, na verdade, do mundo actual e do que todos nós somos.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Rapaz do Pijama às Riscas
Boyne, John

Certo dia, ao regressar da escola, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vive e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não conhece ninguém. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame, que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas.
Desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar... É então que encontra um rapazinho da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Voa Comigo!
Gonzalez, Maria Teresa Maia

Edu é um menino de onze anos que sonha vir a ser piloto-aviado. Sonha conhecer todos os países do mundo, mesmo os mais longínquos, aqueles que ficam do outro lado do globo. Todos apoiam o seu grande desejo, o pai, a avó Aninha, com quem vive, e até a mãe, que está internada num hospital psiquiátrico. Embora tenha sempre alimentado a esperança de voltar a ver os pais juntos, Edu vê-se obrigado a encarar a realidade quando o pai lhe comunica que vai voltar a casar… Mas, de repente, tudo muda quando Edu reencontra um amigo muito especial...
Boas Férias, Miguel!
Gonzalez, Maria Teresa Maia

Se tivesse podido, Miguel teria hibernado o mês de Agosto inteirinho, só para não passar pela tremenda seca que iam ser as suas férias, as piores de toda a sua vida!... O cenário era, no mínimo, desolador: o pai ia em lua-de-mel para o Brasil com a sua segunda mulher, a mãe vivia agora nos Açores com a nova família, e ele era despachado para o meio do Alentejo, para o monte de uma tia que nunca tinha visto e que, ainda por cima, vivia rodeada de bicharada! Para cúmulo, ia completar quinze anos de idade exactamente por aqueles dias…Mas uma grande surpresa aguardava Miguel!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

LI E RECOMENDO …

Memorial do Convento, de José Saramago

Foi, salvo erro, na noite de 24 de Dezembro de 83 ou 84 que, ao rasgar um papel vermelho com folhas de azevinho verdes, me deparei com o título Memorial do Convento . Acabei de desembrulhar a prenda e, segurando com a mão esquerda a lombada do livro, o polegar direito deslizou sobre as páginas como se avaliasse o conteúdo da obra. De Saramago, eu conhecia as crónicas e pouco mais. Durante meses - talvez anos - aquele livro ficou na estante. Até que... Comecei a ler: " D. João, quinto do nome na tabela real, irá esta noite ao quarto de sua mulher, D. Maria Ana Josefa, que chegou há mais de dois anos da Áustria para dar infantes à coroa portuguesa e até hoje ainda não emprenhou. Já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca, insinuação muito resguardada de orelhas e bocas delatoras..." e já não consegui parar, presa a uma visão crítica e irreverente do reinado de D. João V, em que o narrador entrelaça personagens e acontecimentos verídicos com seres engenhosamente conseguidos pela ficção. Assim, surgem, perspectivados pelo olhar crítico do narrador - atento e sarcástico - um D. João V inseguro, insensível e megalómano, obcecado pela ostentação e pela construção do Convento de Mafra; uma rainha submissa e ansiosa por procriar e que, em sonhos - apenas em sonhos - se envolve com o cunhado, D. Francisco; Bartolomeu de Gusmão, o padre inconformista e inconformado, inventor da Passarola Voadora que, desafiando o poder religioso - a Inquisição! - concretiza o seu corajoso projecto de voar; um par de apaixonados: Blimunda, mulher capaz de ver o interior das pessoas e das coisas, e Baltazar, soldado maneta, "despedido" da guerra por já não "servir". Há também o Povo, ingénuo, indefeso, ignorante, oprimido e sofrido, maltratado e miserável... Mas o que mais me fascina, nesta obra, é a intenção de interferência do passado com o presente: a História torna-se matéria simbólica para reflectir sobre o presente, numa perspectiva de denúncia e grito de revolta.

Clara Barreto